
Nos últimos 120 anos, a disciplina no Brasil evoluiu de acordo com o momento histórico e a corrente pedagógica vigente. Acompanhe as principais mudanças.
1890-1930-Visão acadêmica
A arte é estudada só nas academias de belas-artes e nos conservatórios de música. Nas escolas regulares,há apenas as cadeiras de Desenho(cópia e geometria voltada para a qualificação industrial),Ginástica (disciplina corporal e higiene) e Música(solfejo e decodificação de partituras).
1930-1947-Atividades manuais
Desenho e pinturas são feitos para decorar cadernos e festas escolares. Trabalhos manuais como tricô,crochê e bordado são ensinados às mulheres.Nos liceus de artes e ofícios (destinados à formação de mão-de-obra para a indústria),o ensino assume funções utilitárias.em música,Villa-Lobos institui o canto orfeônico,com predomínio da teoria e memorização de peças de caráter folclórico e cívico.
1948-Liberdade de criação
Surge o Movimento Escolinhas de Arte, influenciado pela Escola Nova. elas desenvolvem a auto-expressão de crianças e adolescentes.A ênfase é dada à liberdade de criação.Qualquer orientação é considerada interferência na criatividade.
1960-Formação docente
O projeto pedagógico de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na Universidade de Brasília estabelece o primeiro curso de formação de professores na área. A proposta é baseada na interdisciplinaridade,profundamente ligada ao trabalho nos ateliês de artes plásticas e a experimentações no campo da música.Artistas e titulares de qualquer matéria podem ensinar os conteúdos ligados à área.
1971-Currículo escolar
A Educação Artística passa a ser obrigatória em escolas primárias e secundárias, mas não tem o status de disciplina: é considerada atividade educativa. Aparentemente,é a única matéria que faz relações entre o trabalho criativo e as humanidades.Professores desenvolvem atividades musicais,plásticas e corporais privilegiando a reprodução de modelos e técnicas e a execução de tarefas de acordo com um planejamento desvinculado da realidade do aluno.
1973-Polivalência polêmica
São criados os cursos de artes-educação nas universidades federais. O currículo é o mesmo para todo o pais.O curso pretende formar em dois anos professores capazes de ensinar música,teatro,artes visuais,dança e desenho geométrico da 1ª a 8ª série e no antigo 2º grau.
1980-Tecnologia invade a sala
Entra em cena o uso de recursos tecnológicos (TV, videocassete, aparelho de som), de meios audiovisuais (projeções, transparências) e do livro didático nas aulas de Arte. Infelizmente,predomina o receituário de técnicas.O período é marcado pela organização política dos arte-educadores e pela criação e pelo fortalecimento das associações de professores e pesquisadores.Torna-se popular a Proposta Triangular,de Ana Mãe Barbosa,que propõe o ensino baseado em ações de produção,apreciação e reflexão continuamente interligadas.
1990-Educação nos museus
Os museus investem na criação de setores educativos, coordenados por profissionais com habilitação em Arte. Nesses espaços,professores recebem formação em encontros com curadores,artistas,críticos de arte e mediadores)os guias)antes de levar seus alunos para visitar as exposições.
2000-Ações do Terceiro Setor
Cresce o desenvolvimento de projetos em arte-educação promovidos por associações, organizações não-governamentais e instituições privadas e mistas, como o Sesc, o Senai, o Senac e o Sebrae.
2006-Rede estadual investe na cultura
O Mato Grosso do Sul torna obrigatório o ensino de Arte e Cultura regionais no currículo de todas as escolas do estado. São capacitados 500 professores e 259 mil alunos são beneficiados com a medida;pioneira no Brasil.